Mapeamento Digital: O Padrão-Ouro na Prevenção do Melanoma

Mapeamento digital

O mapeamento digital de pintas e a dermatoscopia digital de alta resolução representam o padrão-ouro na prevenção do melanoma cutâneo. No artigo de hoje, iremos falar mais sobre este procedimento e os benefícios do seu uso no rastreio do melanoma cutâneo.

O que é o mapeamento digital

O mapeamento digital baseia-se na documentação fotográfica sistematizada da superfície corporal do paciente, associada à captura de imagens dermatoscópicas de lesões melanocíticas específicas que apresentam potencial de evolução ou critérios morfológicos suspeitos. 

O objetivo central deste exame é a detecção precoce do melanoma, especificamente em fases onde a invasão da derme é mínima ou inexistente, o que eleva a taxa de sobrevida global.

Diferença da dermatoscopia convencional e a dermatoscopia digital

Dermatoscopia convencional 

A dermatoscopia convencional é realizada em ambiente de consultório através de um dermatoscópio manual. Este instrumento utiliza luz polarizada ou imersão em líquido para anular a reflexão da camada córnea, permitindo a visualização de estruturas pigmentares abaixo da superfície da pele. Sua utilidade limita-se ao momento da consulta, dependendo exclusivamente da memória do examinador ou de anotações em prontuário para comparações futuras.

Dermatoscopia digital

A dermatoscopia digital expande a limitação da memória do profissional ao introduzir a variável do tempo e do armazenamento de dados. O sistema utiliza câmeras de alta definição acopladas a softwares específicos para capturar fotos macroscópicas de todos os segmentos corporais.

Cada lesão relevante recebe uma numeração correspondente no mapa corporal e  em seguida, as imagens dermatoscópicas dessas lesões são registradas com aumentos que variam de 20 a 70 vezes.

A comparação pixel a pixel permite identificar mudanças estruturais sutis, como o crescimento assimétrico ou a alteração na distribuição do pigmento, que seriam imperceptíveis em uma avaliação manual isolada.

Quando utilizar o mapeamento digital

O encaminhamento para o mapeamento digital deve seguir critérios clínicos estabelecidos para otimizar a relação custo-benefício e a precisão diagnóstica. Os principais grupos beneficiados incluem indivíduos com histórico pessoal ou familiar de melanoma em primeiro grau.

Além disso, pacientes que apresentam a Síndrome do Nevo Atípico, caracterizada por dezenas ou centenas de pintas de tamanhos e cores variados, possuem maior dificuldade de autoexame, o que torna a documentação digital um critério de segurança.

Outro fator de indicação é o histórico de exposição solar intermitente e intensa com episódios de queimaduras solares na infância e adolescência. A presença de histórico de exposição solar, principalmente em regiões como costas e ombros, dificulta a vigilância manual. O mapeamento serve como um banco de dados que neutraliza o erro humano derivado da fadiga visual durante o exame de peles com muitas lesões.

Detecção precoce do melanoma

O melanoma pode surgir a partir de um nevo pré-existente ou, mais comumente, como uma lesão nova. Dessa forma, o mapeamento digital atua diretamente sobre estas duas formas de surgimento. 

Através das fotos macroscópicas, o software auxilia o dermatologista na identificação do “sinal”, que consiste em uma lesão que foge ao padrão morfológico das demais pintas do mesmo paciente. Em pacientes com fenótipo de múltiplos nevos, a detecção de uma lesão nova através da comparação das fotos corporais reduz o tempo entre o surgimento do tumor e a sua remoção cirúrgica.

A detecção precoce altera o prognóstico através da redução do Índice de Breslow, que mede a profundidade da invasão tumoral em milímetros. Um melanoma diagnosticado com espessura inferior a 0,75 mm apresenta baixíssima probabilidade de metástase linfonodal.

A aplicação do mapeamento digital em pacientes de alto risco reduz drasticamente o número de biópsias desnecessárias de lesões benignas que, embora atípicas, permanecem estáveis ao longo dos anos. A decisão de operar baseia-se na documentação de mudança biológica ativa, e não apenas na aparência estática da lesão.

Conheça a Dra. Juliana Jordão

A Dra. Juliana Jordão é uma renomada médica dermatologista com uma ampla trajetória acadêmica e profissional.

Graduada pela Faculdade Evangélica do Paraná, ela consolidou sua expertise ao obter especialização em Dermatologia pelo Hospital Universitário Evangélico de Curitiba (HUEC).

Sua dedicação e excelência na área a conduziram a tornar-se Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica.

A nossa clínica está localizada no Edifício New Zealand – R. Dr. Alexandre Gutierrez, 826 – Sala 404 – Batel, Curitiba – PR.

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